Pinto da Costa :
O futebol português regrediu muito. Sou do tempo em que as pessoas iam para as associações defender e melhorar o futebol e não faziam desses lugares trampolins para promoções pessoais. O futebol português vive num paradoxo: temos uma federação onde tudo é pago principescamente e, ao mesmo tempo, os clubes estão quase todos em pré-falência. Os clubes não recebem nada da Liga e dá-se o facto absurdo (que felizmente foi suspenso imediatamente por unanimidade) de a Liga, que tem um défice de milhões, ter de entregar à federação 50% de qualquer inscrição de jogadores.
O dr. Fernando Gomes conseguiu excluir da administração e direção da Liga os clubes. A seguir, veio o dr. Mário Figueiredo e deu no que deu. A Liga está com um défice de seis milhões de euros e continuava a mandar as receitas para a Federação. Isto é um absurdo. Tudo por causa dos tais projetos pessoais. Quando saiu do FC Porto, Fernando Gomes disse-me que ia descansar seis meses. Três meses depois era candidato à Liga e quando alterou os estatutos concorreu à Federação. Agora, está a pensar na UEFA.
O presidente da Liga é vice da Federação e não teve conhecimento. Os clubes também não foram consultados. Não são eles os donos do futebol? É uma pessoa que resolve sozinha que vai apresentar um candidato contra o Blatter? Blatter foi convidado para a gala dos 100 anos da FPF, falou três minutos, e três dias depois, só com o conhecimento de Fernando Gomes e Platini, o Luís Figo aparece como candidato.
Que vá para a UEFA e deixe a FPF a quem tenha paixão pelo futebol. Se fosse presidente da Federação de Basquetebol, depois do que nos aconteceu no último Mundial, não atiraria as culpas para os médicos porque, de basquetebol, não tenho dúvidas que ele percebe.
Não me é indiferente no sentido de que todos esses troféus foram conquistados pelo FC Porto. Se o FC Porto tivesse ganho todos esses troféus consigo a presidente, para mim o prazer era o mesmo. Eu não procuro títulos individuais, eu não procuro honrarias pessoais, procuro até evitá-las. O que eu procuro é que o FC Porto seja cada vez mais respeitado e consiga mais títulos.
Foi aqui que jogámos a meia-final da Champions League e que abrimos as portas para o título europeu. É claro que não posso esquecer aqueles 5-0 ao Benfica, nos tempos do André Villas-Boas, ou o minuto 92, com o golo do Kelvin e o Jorge Jesus a ajoelhar.
Fui surpreendido por uma proposta unânime numa reunião de Direcção, ao que me opus terminantemente. E perante a insistência da Direcção, garanti que me demitiria no mesmo dia em que dessem o meu nome ao estádio. O Dragão simboliza todos os portistas, todos os dragões que construíram, ao longo destes anos, o FC Porto, pelo que não poderia, de maneira nenhuma permitir que dessem o meu nome ao estádio. Não estou arrependido, mantenho essa posição e enquanto eu cá estiver garanto-lhe que nada do que se inaugura terá o meu nome.