L'interview complète de Pinto da Costa
Tenho de aceitar que foi um resultado justo. Cada um marcou um golo, ambos resultantes de erros de equipa e ambos tiveram oportunidades. O Sporting com bola na barra, o FC Porto com duas oportunidades, Herrera e Jackson, e um penálti não marcado.
Há três coisas que me satisfizeram em Alvalade: primeiro, a maneira cordial como fui recebido nos corredores presidenciais; Soares Franco, Sousa Cintra, grandes figuras como o Hilário, Carlos Lopes; o próprio Inácio. Isso caiu-me bem. A segunda foi o excecional apoio dos nossos adeptos, que continuaram a cantar como nunca. Terceira, sobre o jogo, o guarda-redes do Sporting fez grandes defesas.
A história deste campeonato é igual à do ano passado, só que este ano começou mais cedo. O ano passado, ao quinto jogo, empatámos 2-2, com um dos golos resultante de um penálti fora da área; este ano foi uma jornada mais cedo: um penálti não assinalado e golo mal anulado. Veio-me à ideia o jogo do Estoril. No ano passado foi o senhor Rui Silva o árbitro, que depois desceu de divisão; este ano, o árbitro foi o senhor Paulo Batista, que desceu de divisão e que depois foi repescado. Num Guimarães-FC Porto, ambos líderes na altura, foi nomeado um arbitro que desceu de divisão e que depois foi repescado.
O jogo com o Boavista foi anormal. Foi daqueles percalços que acontecem. Em Alvalade, houve tristeza da nossa parte, euforia da outra parte. Acaba por ser um reconhecimento da nossa superioridade.
Fui buscar um treinador para haver uma mudança radical. A postura dos treinadores anteriores não transmitia empatia com os adeptos. O Vítor Pereira, um dos argumentos que usou para não continuar, foi os sócios não gostarem dele; aconteceu também com o Paulo Fonseca, que é excelente treinador e ótima pessoa, de quem fiquei amigo,mas não tinha força interior. Pus na minha cabeça que deveria haver uma mudança radical.
Lopetegui queria o Varela no plantel, mas disse-me 'vi os jogos e o Varela fez quatro bons jogos, mas acho que motivado pode fazer 30'. Depois, encontrou no Olival o Varela, que estava a treinar com Quaresma e Josué, à espera da convocatória para o Mundial, e disse-lhe: 'fizeste quatro bons jogos, o resto não'. A resposta do Varela foi: 'míster, eu não quero ficar, quero ganhar dinheiro. Eu quero ir embora'. Nesse mesmo dia, o treinador ligou-me e disse: 'risque o nome do Varela.
Houve um caso Quaresma nos jornais. Se eu um dia morro, não sei o que vão escrever. Se for por não jogar, então há 14 casos todas as semanas...
Já conversámos muitas vezes. Conheço-o [Rui Moreira] há muitos anos. O outro [Rui Rio] nem conhecia - pelo FC Porto nada fez e pela cidade pouco mais. Se a zona das Antas está como está, deve-se ao FC Porto. A hostilidade desapareceu, mas, em termos práticos, não beneficiamos nada com a mudança. Somos amigos, mas, em termos de ligação do FC Porto à cidade, não tem sido nada positivo.
[Rui Moreira] Disse que deixou de ser portista, passou a ser portuense; não entendo e fico triste. Deixou de escrever num jornal do Porto, o JN, por causa do cargo, e depois passou a escrever num jornal de Lisboa, o Correio da Manhã.
O BES apoiava muito o Benfica e o Sporting fazia negócios normais com o FC Porto.
Pessoalmente, fui prejudicado com a falência do BES, não em números astronómicos, mas em números significativos. Nos 50 anos que joguei na Bolsa, nunca tive uma ação do BES, mas, quando ouvi o primeiro ministro dizer que era um banco seguro e quando ouvi o Presidente da República a dizer o mesmo, eu, que confiava no que eles diziam, fui comprar ações do BES. Senti-me vigarizado.
Decisão que interessa aos ricos, que não precisam de fundos para nada.
Enquanto eu estiver, ninguém comprará o FC Porto. Será sempre dos sócios e dos adeptos [ Pinto da Costa contou que um milionário russo e também Peter Lim tentaram comprar o clube]
Fiquei muito contente. Era um sonho que ele acalentava há 13 anos. É a solução certa e e com a seriedade e princípios que tem, conhecedor do futebol e inteligente, agora haverá um projeto para a Seleção. Até hoje não houve. Era o dia-a-dia e o Ronaldo que resolvesse. Com Fernando Santos tenho a certeza, e espero que o Ronaldo continue em grande forma, de que haverá um projeto para Seleção.