Nas últimas semanas, Nuno Espírito Santo recorreu àquilo a que José Mourinho chamou de "mind games" para tentar colocar mais pressão sobre o Benfica, usando o facto de jogar antes para tentar ganhar alguma vantagem sobre o Benfica. A verdade é que foi assim que recuperou os últimos três pontos ao rival, permitindo ao FC Porto depender apenas de si próprio para ser campeão.
Nesta jornada, acontece o contrário. O Benfica já jogou esta noite, venceu em casa o Arouca por 3-0 e assistirá de poltrona à difícil deslocação do FC Porto a Guimarães. É aí que os portistas têm de dar uma resposta, mas o histórico diz que não é fácil. O JOGO fez as contas às últimas seis temporadas - incluindo as 20 jornadas da atual - e chegou à conclusão de que o FC Porto dá-se pior a jogar depois do Benfica. A pressão de correr atrás da vitória do rival encarnado custou 47 pontos neste período. Sete no atual campeonato. Jogando antes do Benfica, os dragões perderam "apenas" 28 pontos (quatro em 2016/17).
A estatística acaba por dar razão a Nuno Espírito Santo: por norma, é mais confortável jogar antes do que o Benfica. Nessa condição, o FC Porto recuperou 36 pontos para o adversário nos últimos seis anos. Contudo, esta época há um equilíbrio na recuperação pontual: cinco pontos ganhos ao Benfica a jogar antes e outros cinco a jogar depois...
Curioso constatar que nas épocas de Julen Lopetegui (com Rui Barros e Peseiro a completarem a segunda), o FC Porto acusou muito mais a pressão de jogar depois das águias: só ganhou um ponto nessa condição em cada uma das temporadas. Pior mesmo só no último ano de Vítor Pereira em que não conseguiu ganhar qualquer ponto a jogar a seguir. Mesmo assim, o FC Porto foi campeão.