Os campeonatos de futebol ganham-se com dinheiro. Foi com a força do dinheiro que o Benfica reconstruiu e reforçou os arsenais de Jesus até "o melhor plantel dos últimos 30 anos" ter feito tombar, em 2013/14, o pouco que restava do grande FC Porto de Villas-Boas, também ele muito caro. Foi duplicando o orçamento para salários que o Sporting se fez candidato ao título. Ter menos dinheiro do que o adversário não é um detalhe, como fez parecer Bruno de Carvalho quando, descobridor da pólvora (e do enxofre), aterrou em Alvalade. Para o FC Porto, corrigir a trajetória financeira pela via da despesa vai pagar-se na menor capacidade para combater no mercado, mas também na dificuldade (essencial) para segurar jogadores na era mais predadora de sempre no futebol. Tomar a decisão de cortar nos gastos (ou ser obrigado a tomá-la, como foi o caso) não torna o futebol mais barato, nem mais limpo, fora do Dragão. E não há exemplos de clubes que tenham ganho coisas durante longos períodos sem gastarem, pelo menos, tanto como os concorrentes mais próximos. E também não há clubes vencedores que, num ponto ou outro das suas histórias, não tenham resolvido correr mais riscos do que o razoável. Quem ouve economistas falarem de futebol pensa que não, mas o dinheiro, no desporto, é a única ferramenta, ao contrário dos próprios economistas, que nunca ganharam campeonatos. No futebol, manda Samuel Beckett: gasta, gasta outra vez, gasta melhor ("falha, falha outra vez, falha melhor"). O drama, para o FC Porto, é ter gastado, gastado outra vez, mas gastado pior. Conseguirá poupar, poupar outra vez e poupar melhor?