A camisola do FC Porto é a minha segunda pele"
Falar com Ivanildo é sentir a pureza do futebol. Gosta tanto do FC Porto como o adepto mais ferrenho, sente-o ao ponto de não conseguir separar os títulos que pretende para si dos que quer para o clube. Insiste que está apenas a dar os primeiros passos, mas deixa a promessa de explodir no tubo de ensaio de Adriaanse
TOMAZ ANDRADE/HUGO SOUSA
Custou muito a Ivanildo deixar para trás o chão que estava habituado a pisar e o colo dos pais, mas fê-lo na procura de dois sonhos: o de jogar futebol e o de crescer como pessoa. Não há razões para duvidar de que tem sido bem sucedido em ambos. A distância da família conduziu-o a um amadurecimento precoce e à certeza de que as oportunidades são feitas para se agarrarem com as duas mãos. Ora, quando José Couceiro decidiu que tinha chegado a hora de o apresentar ao Dragão, Ivanildo percebeu que, bem vistas as coisas, já tinha ultrapassado desafios tão ou mais difíceis. E lembrou-se dos conselhos da mãe, que sempre lhe disse para não se esquecer de que os sacrifícios tinham uma recompensa. O avançado entende que metade dessa recompensa foi atingida só por ter chegado onde mais queria, ao último degrau de uma escadaria que foi subindo aos poucos no FC Porto. A outra metade fica por conta de uma afirmação que ele pretende que seja inquestionável e com muitos títulos à mistura. A começar, de preferência, pelo título de juniores que quer ajudar a conquistar. Por isso abdicou de parte das férias. E sem hesitações.
O JOGO | O plantel já está de férias, mas o Ivanildo continua a treinar e a jogar nos juniores. Opção sua?
IVANILDO | Sou jogador do clube e, como ainda sou júnior, estou disposto a jogar em qualquer escalão, desde que seja para ajudar o FC Porto.
P | Ainda pode ganhar um título esta época...
R | Espero bem que sim. É para isso que estamos a trabalhar, com o sentimento de que é possível sermos campeões.
P | Já sentiu diferenças na forma como é tratado, agora que regressou aos juniores?
R | Se dissesse que era a mesma coisa, estaria a mentir, mas também não noto uma grande diferença, porque todos somos jogadores do FC Porto. Hoje sou eu que estou no plantel principal e amanhã podem ser outros. Tento ser o Ivanildo de sempre.
P | Sobre a próxima época: sente que seria melhor ficar no FC Porto ou ser emprestado?
R | O meu objectivo é singrar no FC Porto e espero fazê-lo. Ser emprestado? Não sei, só o clube poderá dizer... Eu quero é jogar no FC Porto. É o clube do meu coração e quero mostrar o meu valor. Só o facto de estar na equipa principal já é motivador. Aprende-se muito com os jogadores mais velhos. Tenho de trabalhar para conseguir o meu espaço, mas não sei se jogarei na equipa principal ou na B. Jogo onde quiserem.
P | O facto de ser um jogador formado nas escolas do FC Porto torna-o num portador de alguma mística especial?
R | Penso que sim. A maioria dos jogadores que são formados no FC Porto têm a mística do clube e sentem-no de maneira diferente. Quando vamos para o campo dá-se mesmo tudo, porque é assim que nos ensinam: sempre a pensar na vitória e a deixar a pele em campo. A camisola do FC Porto é, para mim, uma espécie de segunda pele. É um sentimento muito forte. Quando estou com aquela camisola só penso em ganhar. Quando não ganho, sinto-me frustrado. Não gosto de perder, ainda para mais neste clube, onde as pessoas não estão habituadas a isso.
P | Mas acha que encararia as derrotas de maneira diferente se estivesse noutro clube?
R | Não sei. Isso nunca aconteceu e espero que não aconteça. Tenho amor ao FC Porto.
P | Está para renovar. Assinaria, agora, um contrato vitalício com o FC Porto?
R | Acho que sim.
" Sinto-me confortável a extremo-esquerdo"
P | Queimou depressa muitas etapas. Teve de evoluir fisicamente para corresponder às exigências?
R | Sim, foi necessária uma evolução. Sinto que no aspecto físico, psicológico e técnico evoluí muito. Quando passei para a equipa principal notei que a evolução foi mais rápida.
P | Sente-se confortável em todas as posições do ataque?
R | Aquela em que me sinto mesmo confortável e melhor é a de extremo esquerdo. Mas, nas camadas jovens e na equipa B, habituei-me a jogar em todas as posições do ataque: ponta-de-lança, extremo direito e extremo-esquerdo.
P | Agora, na equipa principal, é capaz de ser mais difícil jogar na área...
R | É verdade. Para mim, é melhor jogar nos flancos porque, fisicamente, não sou muito forte. Acho que estou mais vocacionado para tentar desequilíbrios em velocidade.
P | Marcou alguns livres. É uma especialidade?
R | Penso que não. Treino sempre para melhorar em tudo, incluindo os livres. Especialidade não é, mas tento melhorar nesse aspecto e ser, a cada dia, mais consistente naquilo que faço.
P | A propósito de consistência: o FC Porto vai ser mais consistente e garantir o título para o ano?
R | Espero que sim. Que seja campeão para o ano e para o outro, e mais outro e outro [risos].