José Couceiro: «Quem joga no F.C. Porto tem de acreditar sempre»
José Couceiro compareceu esta sexta-feira no auditório do Centro de Treinos e Formação Desportiva PortoGaia para perspectivar o encontro de domingo com o Gil Vicente e para defender que o Campeão do Mundo mantém a crença. O treinador do F.C. Porto é claro quanto ao grau de motivação da equipa.
FCP: Vai ter várias dificuldades nesta jornada. Para além de três castigados, tem o Maniche em tratamento. Qual é a gravidade da lesão do médio?
José Couceiro: Neste momento, para mim, é seguro que não joga. Não está em condições de poder jogar. Está entregue ao Departamento Médico. Dificuldades temos em todos os jogos. Não dou grande valor a isso. Há jogadores de fora, mas outros jogarão e vamos tentar apresentar uma equipa com o maior equilíbrio. É para isso que trabalhamos.
FCP: Tem sido fácil motivar o plantel?
JC: É evidente que sim. Todas as palavras de motivação, como as de alguns jogadores que tenho lido, são sempre bem vindas. As críticas destrutivas e avulsas é que são altamente negativas. As positivas tudo bem. Temos de acreditar sempre.
FCP: Há sempre crença?
JC: Como é evidente! Não há outra possibilidade. Quem joga no F.C. Porto tem de acreditar sempre.
FCP: Sente que o plantel precisa de algum carinho?
JC: Porque é que me pergunta isso? Por causa das declarações do senhor seleccionador nacional? Em relação ao Hélder Postiga queria dizer que tem provas de confiança. Basta ver que, depois de uma época que não foi boa, o F.C. Porto o contratou por um valor significativo. Isso é uma prova de confiança. Antes de todas as outras. Após o jogo com o Sp. Braga, sei que pediu para sair e o presidente disse-lhe para ficar e ter calma. Isso também demonstra confiança e carinho. E, quando cheguei ao F.C. Porto, passou a ser utilizado com maior regularidade. Não há falta de confiança nem de carinho da nossa parte. Trabalhamos para que os jogadores sejam cada vez melhores. Não posso colocar a questão ao contrário. De eu querer cobrar. O Hélder, tal como o Luís Fabiano, sabe que tem obrigações, que as coisas nem sempre lhe têm corrido bem, mas a vida muda.
FCP: O Postiga poderá jogar frente ao Gil Vicente?
JC: Um dos dois joga e até podem jogar os dois. Já sabem que não dou a equipa. São jogadores com enorme potencial, como todos os outros do plantel, que tenho por obrigação trabalhar para que tenham rendimento superior. Mas não há falta de carinho ou motivação em relação a nenhum atleta. Há confiança mais do que do treinador. Do próprio clube.
FCP: Ainda não ganhou no Estádio do Dragão...
JC: Eu não... o F.C. Porto! Quando perdemos somos nós e quando ganhamos também somos nós. Em termos práticos, é um facto que o F.C. Porto tem tido dificuldades nos jogos em casa. Mas continuo a acreditar que é preferível jogar em casa, diante dos nossos. Todos aqueles de que defendem o F.C. Porto têm de defender a equipa e perceber que é um momento difícil, um momento em que é importante estarmos unidos para dar a volta à situação.
FCP: Não houve jogo nesta semana. Isso permitiu à equipa assimilar melhor as suas ideias?
JC: Ajuda a que alguns jogadores assimilem melhor as minhas ideias. Em relção ao último ano, restam três jogadores ofensivos e, para este desafio, temos apenas o Bosingwa, por isso é natural que haja dificuldades. Isto é óbvio para quem olhar para este plantel de boa fé. Não estando cá todos, tendo cerca de metade do plantel fora, é evidente que não podem todos beneficiar de não ter havido jogo. É assim. Não há que lamentar.
FCP: Um atleta voltou a regressar lesionado da selecção, como já tinha sucedido, por exemplo, com o Nuno Valente... Defende que as regras deviam mudar?
JC: Penso que tem de haver mais diálogo. Nunca colocarei um jogador em situação de não poder defender a sua selecção. Tenho o maior respeito por isso. Nunca serei eu a colocar dificuldades. Agora parece-me que tem de haver um clima de diálogo, de abertura e defesa dos próprios clubes. As selecções são importantes, sem dúvida, mas os clubes também o são. Não interessa falar de mais ou menos importância. Este é um tema que tem sido discutido no G-14, no seio dos clubes mais importantes e que também são os mais prejudicados com isto. Mas não quero polémicas com a selecção. Estou preocupado com o F.C. Porto e digo que, do nosso lado, nunca vamos aconselhar os nossos jogadores a não meter o pé ou a não jogar. Ficámos sem o Maniche, porque não estava em condições de jogar 45 minutos no primeiro jogo e 90 no segundo. Mas não levanto polémicas.
FCP: Que Gil Vicente espera no próximo domingo?
JC: Desde que o Ulisses Morais é treinador, tem habituado a jogar num sistema de jogo que não muda em função do adversário. Espero um Gil Vicente que vem jogar para procurar marcar algum golo. Espero uma equipa dentro do que tem feito dentro do seu campeonato. Não espero um Gil Vicente mais defensivo.
FCP: Conta recuperar alguns pontos no Bessa e na Luz durante o fim-de-semana?
JC: Recuperar é uma palavra difícil... No Bessa não podem ganhar os dois, na luz é evidente que estamos a torcer pelo Marítimo. Mas o importante é ganharmos o nosso jogo. Não vale a pena fazer contas. Ganhando o nosso jogo logo se verá.
FCP: Hoje surgiu a notícia de mais um ponta-de-lança nos planos do F.C. Porto. Confirma?
JC: Não tenho confirmação nenhuma e hoje é dia 1 de Abril! Têm surgido tantos nomes para o F.C. Porto... Se calhar vamos ter várias equipas! E isso não é um factor muito positivo para nós. Neste momento não há nenhuma contratação feita. Alguns dos nomes são interessantes, mas nada está definitivo